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  • Foto do escritorFilippi Nuk'h

A arte de afinar a mensagem com o propósito


Quando apoiamos a mão sobre uma superfície, recebemos da superfície uma mensagem clara: se é áspera, úmida,fria, plana etc. Só que, dependendo da disposição e das intenções ao elaborarmos uma frase para expressar esse sentimento que acabou de ser sentido na pele, podemos ocultar um valor de universal aceitação, inserindo elementos subjetivos, de acordo com os interesses de quem está dizendo, seja de maneira proposital ou não. Ao final desse processo que pode não mais se findar, a mensagem final pode estar completamente distorcida da mensagem original.


Mas já percebeu como as plantas se comunicam? Na natureza as mensagens são muito claras. Por exemplo, existe uma planta popularmente conhecida por flor-do-deserto que se desenvolve melhor em local com maior iluminação. Caso ela seja colocada num local escuro, o destino dela será o definhamento. Como é característica comum da planta os troncos finos, ela poderá desviar o tronco da posição em que se encontra em busca de um maior contato com a luz solar. Porque esta é a disposição original da planta. É como se todo o ser da planta, da folha à raíz, manifestasse essa mensagem, em busca de um maior equilíbrio e desenvolvimento do ser. E um maior equilíbrio e desenvolvimento só se faz mediante o estabelecimento da conexão com a dose certa de sol, a dose certa de água e por aí vai.


A decodificação das mensagens sutis presentes no tom das folhas, nas penugens do caule, sustentará uma cumplicidade a dois, entre quem envia a mensagem e quem recebe a mensagem. Isto por si só, é fonte geradora de futuro.


Quando consideramos que algo é áspero, esse algo não é liso. Se, por acaso, interpretamos o áspero como liso, é porque não estamos conseguindo ler a mensagem corretamente. Por mais que se filosofe sobre o quão áspero pode ser um liso, o liso será liso e o áspero será áspero, em essência. É como se esta fosse a mensagem primeva, a primeira mensagem, que determinará o futuro, e seus desdobramentos.


Esse espaço existente entre o tempo de sentir e o tempo de manifestar é de imensa sacralidade na geração de um fio condutor que se ramificará, permeando o que estiver no caminho, como o caule que cresce em direção ao topo, na busca pelo futuro.


Portanto, resta investigarmos o que estamos colocando no meio do caminho que está fazendo com que não consigamos conectar como gostaríamos. Cabe a questão: alguma distração ou vício está embotando os sentidos mais vitais? Como posso gerar uma leitura mais aprimorada das mensagens manifestadas?


Num mundo massificado pela produção não basta que a mensagem seja interessante, curiosa ou bela, mas há de ser indispensável. Assim é a linguagem da natureza. Assim é a linguagem do que é primevo e primaveril.




Fotograma de "Imperfect Frame" de Marius Moragues



Desafio: Observe a mão desta senhora: a cumplicidade existente entre ela e a palha, em como mão e palha se direcionam alinhadas num mesmo propósito. É um trabalho que executa há muitas décadas e que a faz ficar serena quando o assunto é pandemia. Ela sabe que sempre há muito por fazer e que há pessoas que possam estar precisando de suas cestas.


Qual é a mensagem que você, criador, está passando para o mundo? Pelo que você se responsabiliza e é responsabilizado?


E observe com generosidade o movimento de sua alma.

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